Gramática da Língua Portuguesa

clac 17/ 2004

 

Maria Helena Mira Mateus, Ana Maria Brito,

Inês Duarte, Isabel Hub Faria et al.

 

 

MATEUS, M.H. M. et al. – Gramática da Língua Portuguesa (5ª edição, revista e aumentada), Lisboa (Editorial Caminho – Colecção Universitária / Série LINGUÍSTICA), 2003 (1127 p.)

http://www.editorial-caminho.pt/

 

Joaquim Fonseca

Universidade do Porto

joaquim fonseca

 

1. Saúda-se muito vivamente o aparecimento do livro em epígrafe, que constitui, sem dúvida, uma obra de referência.

2. Para a sua apresentação, reproduzo aqui respectivo Prefácio:

          «A Gramática da Língua Portuguesa foi publicada pela primeira vez em 1983 e revista na edição de 1989, com prefácio que se reporta a 1987. A partir desta data a obra foi reimpressa sem alterações.

          Esgotada a 4.ª edição em 1999, foi unânime a decisão de preparar uma nova edição amplamente revista, com maior pendor descritivo, com um estilo menos tecnicista e com uma cobertura linguística mais ampla. Esta decisão foi compreendida e apoiada pela Editorial Caminho, que aceitou esperar três anos pela conclusão do trabalho de preparação da nova edição.

          O trabalho de preparação desta nova edição resulta, como é natural, da visão crítica da obra que as autoras da 1.ª edição foram desenvolvendo desde 1987, como consequência quer do seu próprio trabalho de investigação, quer do trabalho de investigação de muitos colegas e investigadores, quer de críticas e sugestões de colegas e amigos, quer ainda da própria experiência de utilização da Gramática da Língua Portuguesa com estudantes de graduação e pós-graduação de várias nacionalidades.

          O aumento da cobertura linguística e o aprofundamento das análises propostas para muitos fenómenos levou à integração de outras linguistas no primitivo grupo de autoras, apresentando-se a obra hoje consideravelmente mais extensa e indubitavelmente enriquecida.

          O alargamento, aprofundamento e reformulação a que se procedeu não põe em causa os princípios fundamentais que orientaram, desde o início, a elaboração da Gramática da Língua Portuguesa. As análises são desenvolvidas em quadros teóricos que possuem um poder explicativo satisfatório e que sustentam investigações recentes sobre as línguas particulares e sobre a língua portuguesa.

          O trabalho desenvolvido reflecte-se, antes de mais, na organização da obra, dividida em seis partes autónomas em lugar das primitivas três partes.

          Manteve-se o carácter estritamente descritivo da Parte I, que, já nas edições anteriores, era dedicada a uma brevíssima referência aos primeiros textos escritos em português e a uma identificação das áreas dialectais de Portugal. A essa referência foi agora acrescentada uma caracterização sumária dos períodos da história da língua. Além disso, a exemplificação das diferenças de carácter fonético entre as variedades do português europeu e brasileiro foi completada com a apresentação de algumas especificidades sintácticas e lexicais.

          As questões de pragmática e de semântica são analisadas separadamente nas Partes II e III. A Parte II é consagrada à reflexão sobre o uso da língua, sobre a interacção verbal e sobre os mecanismos de organização textual. A Parte III é constituída pela análise das vertentes semânticas de tempo, modo e aspecto, da referência nominal e dos predicadores verbais. Assim, e relativamente a estes dois aspectos da gramática do português, assume-se com mais clareza do que nas edições anteriores a dissociação entre questões de interpretação que relevam de aspectos pragmáticos (isto é, sensíveis ao contexto situacional e discursivo) e questões de interpretação imputáveis a factores léxico-semânticos e semânticos.

                   A Parte IV, a mais extensa da obra, é consagrada à sintaxe e trata das categorias lexicais e suas projecções, e das estruturas sintácticas das frases simples e complexas. Privilegiou-se a descrição das propriedades das construções, tendo-se reduzido ao essencial a formalização e a dependência de hipóteses teóricas necessariamente datadas.

                   A morfologia passou a constituir uma unidade autónoma, a Parte V, com espaço para um tratamento mais sistemático de questões relacionadas com a estrutura das palavras e com os recursos morfológicos disponíveis no português para a formação de novas palavras.

                   Esta autonomização obrigou a uma separação entre morfologia e fonologia, estando a Parte VI consagrada a esta última. Um dos aspectos mais importantes da recente investigação sobre a fonologia das línguas foi a importância atribuída à análise da prosódia. Na Parte VI da Gramática da Língua Portuguesa, a par de um tratamento reformulado da fonologia segmental, foram introduzidas descrições e análises de unidades prosódicas e rítmicas, desde a sílaba aos constituintes prosódicos mais vastos. A autonomização da prosódia permitiu, assim, tratar questões que não figuravam nas edições anteriores ou tinham sido apenas abordadas sumariamente.

          A profunda reformulação da Gramática da Língua Portuguesa não teria sido possível sem a investigação sobre o português desenvolvida nos últimos quinze anos, a nível nacional e internacional. Essa investigação está materializada em numerosas teses de mestrado e de doutoramento e em inúmeros artigos e livros entretanto publicados. As notas e as referências bibliográficas que incluímos na presente obra são uma tentativa de completar a informação sobre parte da investigação realizada.

          A variedade da língua contemplada nesta obra é a norma-padrão do português europeu, embora em muitas circunstâncias se indiquem características de outras variedades nacionais, geográficas e/ou sociais. Deve igualmente lembrar-se, relativamente ao carácter desta obra, que ela não é uma gramática normativa, ou seja, não é um instrumento que regule o bom uso da língua. O seu objectivo consiste na apresentação de descrições e análises de um largo conjunto, evidentemente não exaustivo, de aspectos da língua portuguesa.

          A Gramática da Língua Portuguesa dirige-se àqueles que trabalham sobre diversas línguas particulares e também sobre o português e que, ao aplicarem as propostas aqui incluídas a um universo mais vasto de dados, poderão vir a confirmar ou infirmar as hipóteses apresentadas, contribuindo assim, em conjunto com as autoras, para um melhor conhecimento das estruturas linguísticas do português e, desejavelmente, das propriedades da gramática universal.»

 

3. Introduzo sumariamente de seguida as seis Partes e respectivos capítulos, também com a indicação das Autoras:

 

Parte I - (pp. 24-51): Língua portuguesa: unidade e diversidade.

       Cap. 1:  O tempo e o espaço da língua portuguesa (Maria Helena M. Mateus)

       Cap. 2: Contacto, variação e mudança linguística (Isabel Hub Faria)

       Cap. 3: Dialectos e variedades do português (Maria Helena M. Mateus)

 

Parte II – (pp. 53-123): Uso da língua, interacção verbal e texto.

       Cap. 4: O uso da linguagem (Isabel Hub Faria)

       Cap. 5: Aspectos linguísticos da organização textual (Inês Duarte)

 

Parte III – (pp. 125-272): Aspectos semânticos da gramática do português.

       Cap. 6: Tempo e aspecto (Fátima Oliveira)

       Cap. 7: Predicação e classes de predicadores verbais (Inês Duarte e Ana Maria Brito)

       Cap. 8: Referência nominal (Inês Duarte e Fátima Oliveira)

       Cap. 9: Modalidade e modo (Fátima Oliveira)

 

Parte IV – (pp.273-913): Aspectos sintácticos da gramática do português.

       Cap. 10: Relações gramaticais, esquemas relacionais e ordem das palavras (Inês Duarte)

       Cap. 11: Categorias sintácticas (Ana Maria Brito)

Cap. 12: Estrutura da frase simples e tipos de frases (Ana Maria Brito, Inês Duarte e Gabriela Matos)

       Cap. 13: A família das construções inacusativas (Inês Duarte)

       Cap. 14: Estruturas de coordenação (Gabriela Matos)

       Cap. 15: Subordinação completiva – as orações completivas (Inês Duarte)

       Cap. 16: Orações relativas e construções aparentadas (Ana Maria Brito e Inês Duarte)

       Cap. 17: Subordinação adverbial (Ana Maria Brito)

       Cap. 18: Construções de graduação e comparação (Ana Maria Brito e Gabriela Matos)

       Cap. 19: Aspectos sintácticos da negação (Gabriela Matos)

Cap. 20: Tipologia e distribuição das expressões nominais (Ana Maria Brito, Inês Duarte e Gabriela Matos)

Cap. 21: Construções elípticas (Gabriela Matos)

 

          Parte V – (pp. 915-983): Aspectos morfológicos da gramática do português.

                   Cap. 22: Estrutura morfológica básica (Alina Villalva)

                   Cap. 23: Formação de palavras: afixação (Alina Villalva)

                   Cap. 24: Formação de palavras: composição (Alina Villalva)

 

          Parte VI – (pp. 885-1076): Aspectos fonológicos e prosódicos da gramática do português.

                   Cap. 25: Fonologia (Maria Helena M. Mateus)

                   Cap. 26: Prosódia (Maria Helena M. Mateus, Sónia Frota e Marina Vigário).

 

© Joaquim Fonseca. Círculo de Linguística Aplicada à Comunicação 17, Fevraio 2004. ISSN 1576-4737.

http://www.ucm.es/info/circulo/no17/mateus.htm

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